Prezados Senhores, Na quarta-feira (5/5/2010), a comunidade mineira foi surpreendida com as decisões tomadas pela Reitoria da UFMG quanto à organização e à realização do vestibular para o exercício de 2011. Houve uma considerável alteração do programa de conteúdos das disciplinas determinadas para o concurso com a adoção do NOVO ENEM como substituto da Primeira Etapa do vestibular. E o fato gravíssimo foi a amputação da Prova de Redação da Segunda Etapa, substituída pela precária Redação do ENEM. Sim, precária, todos sabem disso. Essa medida, o fim da Prova de Redação, implica diretamente algumas questões: 1. Não é novidade que nossos estudantes não gostam de escrever e não se importam com a escrita e nem com a Língua Portuguesa. Ganharam um incentivo institucional. 2. Não é novidade que nossos estudantes não gostam de ler e ignoram a importância da Literatura Brasileira. Não deveria ser preciso lembrar que a História deste País está diretamente ligada à História de nossa Literatura. Ganharam um incentivo institucional. É VERGONHOSA a declaração da pró-reitora adjunta de Graduação, Sra. Carmela Maria Polito Braga ao Jornal Hoje Em Dia (Sábado, 8/5/2010 – Minas 19). Questionada a respeito do fato de muitos estudantes já terem comprados os livros, indicados pela UFMG desde 2009, e começado a preparação, disse: “Isso não é ruim porque esses jovens terão um ganho cultural. Todos são convidados a ler, mas não haverá cobrança”. A Sra. Carmela demonstra que conhece muito bem a realidade desses jovens! 3. Não é novidade que isso afetará o emprego de professores de Redação e de Literatura, muitos formados na Faculdade de Letras da UFMG. Aliás, para que continuar mantendo o Curso de Letras se essa área do conhecimento é tão menosprezada pela própria UFMG? Para onde têm ido os estudantes de letras formados semestralmente pela FALE? 4. As escolas, cursos, professores e famílias de alunos não deveriam mover uma ação judicial contra a UFMG para se ressarcirem do prejuízo causado pela mudança? Ou a UFMG ignora o prejuízo financeiro que causou a essas instituições, profissionais e famílias? Não há clareza e nem lisura nas informações que são, GOTA A GOTA, veiculadas aos interessados. A UFMG não demonstra nenhum interesse pelas demandas imediatas da classe estudantil, que cogita ingressar no ensino superior, quando já havia afirmado categoricamente que não adotaria o ENEM para o vestibular 2011 e agora, em meio ao processo, muda a orientação. Ao deixar essa decisão para o mês de maio, a instituição foi no mínimo irresponsável. Já havia uma lista de livros divulgada há mais de um ano; as escolas, professores e estudantes se preparavam com base em um programa de disciplinas e um calendário do exame. Houve todo o planejamento de trabalho; foi consumido material didático com um fim específico; isso demandou empenho, investimento. Enfim, a UFMG não levou a sério o compromisso com a sociedade, o respeito aos alunos e aos professores. A decisão é arbitrária e, evidentemente, política. Seria mais coerente e respeitoso programar a mudança para o próximo vestibular, de 2012. A decisão é arbitrária e, evidentemente, POLÍTICA. E se o Serra ganhar as eleições? Saliento que não sou contrário ao PROJETO POLÍTICO ENEM, contraponho-me à ingerência, ao abuso de uma decisão arbitrária, à incapacidade de diálogo com a sociedade (atitude recorrente na UFMG), ao ataque ao emprego de profissionais sérios e, ao absoluto descaso com a formação de leitores, de produtores de texto, e com a nossa Literatura e Língua Portuguesa. Enquanto a UFMG segue seu histórico feudal, a Universidade Federal do Acre demonstra modernidade e respeito pela comunidade acreana quando realiza consulta pública para saber sobre a possível adesão da Instituição ao NOVO ENEM. Segundo a administração da UFAC, essa consulta e o seu resultado vão subsidiar as discussões internas da Universidade, com a participação das representações de instituições públicas e privadas da área educacional, bem como representações estudantis e da sociedade civil organizada. Se não acreditam, consultem www.ufac.br. A reitoria da UFAC enxerga um Brasil que a UFMG não vê, ou prefere não ver. Consternadamente, Jair Alves Corgozinho Filho
Escrito por Alexandre Amaro e Castro às 10h37
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